Beleza carioca
“Moça do corpo dourado do sol de Ipanema/ o seu balançado é mais que um poema/ É a coisa mais linda que eu já vi passar”- Vinicius de Moraes
E é assim que ela passa e é assim que a gente sente! Eita menina boa! Proclamando todo o seu xingado para a galera do Posto 9, não tem pra outra. Os surfistas falam com ela depois de uma série maneira. O pessoal da pelada sempre no ouvido dela pra saber pra que time ela torce. E a rodinha de samba, sempre que ela passa toca aquela música do Pixinguinha só pra ver seu corpinho requebrar. Todo mundo que passa a cumprimenta pelo nome. “E aí, dona Daniela, Beleza?” “Bom dia dona Dani!” “Olha a dona Daniela aí gente!” E ela sempre responde com um sorriso no rosto: “Não sou dona de ninguém! E ninguém é dono de mim!”. Aonde passa recebe elogios, isso sem falar dos olhares que caminham seu corpo de cima pra baixo. E que corpinho! Barriguinha esbelta e suada refletindo o pôr-do-sol da Praia de Ipanema. Peitos que parecem explodir por debaixo daquela blusinha. Pernas finas e elegantes escorrendo por debaixo daquele shortinho. Um rostinho delicado e pueril. Isso sim que é mulher! Todo mundo quer conhecer ela de perto, todo mundo quer saber com quem ela vai passar a noite. E o dono do quiosque da aquele olhar como se de um pai orgulhoso com a filha.
Quando a noite cai tudo muda. Aquela moça se transforma. Troca o calçadão pelas ruas. No lugar do rosto de criança uma expressão velha e cansada. No lugar de um sonho uma ilusão. E no lugar de homens bonitos e educados qualquer cara com cinqüenta reais no bolso com o interesse de passar bem essa noite. Uma mulher que passa se pergunta “Que caminho deve ter seguido essa moça?” E os olhos do dono do quiosque não conseguem esconder o olhar de preocupação com a filha.
sábado, 15 de setembro de 2007
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